⚖️ Jurista ataca: Recandidatura de João Lourenço ao MPLA significa "continuidade do sofrimento dos angolanos"
O anúncio da recandidatura de João Lourenço à presidência do MPLA continua a gerar ondas de choque no panorama político angolano. Desta vez, quem pega na palavra é o jurista e docente universitário Manuel Cangundo, que, em declarações exclusivas à agência Lusa, classificou a decisão como a "continuidade do sofrimento de milhões de angolanos". O especialista foi mais longe: afirmou que Lourenço quer manter-se no poder "para se proteger" de processos que ele próprio desencadeou contra adversários internos.
📌 "Marioneta em 2027" — o aviso do jurista sobre o futuro das eleições
De acordo com Manuel Cangundo, o grande problema da recandidatura de João Lourenço à frente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) não é apenas o presente — é sobretudo o futuro. O jurista recordou que a Constituição angolana impede um terceiro mandato como Presidente da República, mas os estatutos do partido permitem que o Bureau Político (BP), presidido pelo próprio Lourenço, proponha os candidatos a Presidente e vice-Presidente da República.
"João Lourenço continuando na direcção do MPLA será ele a escolher quem vai concorrer à presidência da República em 2027", alertou Cangundo. "Vamos ter uma espécie de Presidente marioneta que vai cumprir as ordens de quem está no partido. E a verdadeira balança do poder em Angola está na sede do MPLA, não no Palácio Presidencial", disparou o jurista, citado pela Lusa.
🔍 Perseguição à família dos Santos? Jurista levanta véu
Uma das afirmações mais fortes de Manuel Cangundo reside na motivação por trás da recandidatura. Para o docente universitário, João Lourenço quer manter o poder para se proteger das consequências dos seus próprios actos. "Ele patrocinou uma perseguição frenética e desenfreada a muitos quadros do MPLA, muitos próximos ao anterior Presidente José Eduardo dos Santos, e outros motivados por rivalidades que só ele saberá explicar", afirmou.
O jurista acrescentou que esta situação "justifica que eu e muitos angolanos avisados tenhamos ficado em alerta" quanto à real intenção de Lourenço. "Uma vez fora do poder, o que lhe espera não é boa coisa", disse, referindo-se a eventuais processos ou represálias políticas.
📢 DECLARAÇÃO FORTE: "A recandidatura de João Lourenço significa em tese continuidade do sofrimento de milhões de angolanos, onde me incluo" — Manuel Cangundo, jurista.
🏛️ Bureau Político sob críticas: "Apoio incondicional estraga tudo"
João Lourenço anunciou a sua intenção de recandidatura no Sábado, durante uma reunião do Bureau Político do MPLA. O comunicado final do órgão não deixou margem para dúvidas: manifestou "apoio incondicional" ao dirigente, o que motivou novas críticas por parte de Manuel Cangundo.
"Isso estraga tudo, desequilibra o jogo. O BP, por apoiar uma candidatura, afasta liminarmente qualquer hipótese de haver múltiplas candidaturas. O MPLA volta à sua velha tradição de candidatura única, o que demonstra que o partido é adverso à democracia", sustentou o jurista.
Para Cangundo, quando um órgão representativo escolhe uma parte de forma antecipada, "não haverá transparência, haverá muitos vícios e no final vamos ter o mesmo problema de sempre". As declarações surgem num momento em que outros nomes como Higino Carneiro, José Carlos Almeida, António Venâncio e Irene Neto (filha de Agostinho Neto) também manifestaram intenção de concorrer à liderança do partido.
🗳️ O que esperar do IX Congresso Ordinário do MPLA?
O IX Congresso Ordinário do MPLA está marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro próximo e promete ser um dos momentos mais tensos da história recente do partido no poder. Apesar das críticas de Manuel Cangundo e de outros sectores da sociedade civil, a máquina do partido parece estar alinhada com a recandidatura de João Lourenço.
Analistas políticos ouvidos pela Vib News 24 consideram que, mesmo com candidaturas múltiplas, o resultado já estará desenhado. "O MPLA nunca foi um partido de democracia interna real. O poder sempre se concentrou no topo, e o Bureau Político funciona como uma extensão da vontade do Presidente", explicou o cientista político Domingos Fernando.
🇦🇴 O que está em jogo para os angolanos?
A posição do jurista Manuel Cangundo reflecte o descontentamento de uma parcela significativa da sociedade angolana que vive na pele os efeitos da crise económica, do desemprego e da falta de serviços básicos. Para muitos, a disputa interna do MPLA é vista como um "circo" que pouco ou nada resolve os problemas reais da população.
"Enquanto eles lutam pelo poder dentro do partido, o povo continua sem água, sem luz, sem hospitais e sem empregos. Isso é que é o verdadeiro sofrimento", desabafou Maria da Conceição, vendedora do Mercado do Roque, em entrevista à nossa reportagem.
A Vib News 24 procurou o MPLA e o Gabinete de Comunicação do Presidente da República para comentar as declarações de Manuel Cangundo, mas até ao fecho desta edição não obtivemos qualquer resposta.
🎯 Conclusão: recandidatura acende alerta para 2027
As declarações do jurista Manuel Cangundo vêm juntar-se a um coro crescente de vozes críticas dentro e fora do MPLA. A recandidatura de João Lourenço à presidência do partido não é apenas um assunto interno da legenda no poder — tem implicações directas no futuro político de Angola, especialmente no que diz respeito à sucessão presidencial de 2027 e ao equilíbrio de forças no país.
Com o IX Congresso marcado para Dezembro, resta saber se haverá espaço para uma verdadeira disputa democrática ou se, como teme Cangundo, o "apoio incondicional" do Bureau Político transformará o processo numa mera formalidade. A Vib News 24 continuará a acompanhar cada passo desta história e trará actualizações em tempo real.
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