Nova lei do IRPS pode obrigar bancos a partilhar informações fiscais dos clientes com a AGT

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Nova lei do IRPS pode obrigar bancos a partilhar informações fiscais dos clientes com a AGT

Nova lei do IRPS pode obrigar bancos a partilhar informações fiscais dos clientes com a AGT
📆 15 de Junho, 2026 · 13h00  |  ✍️ Por Redação Vib News 24  |  📍 Economia · Legislação · Fiscalidade
🏦 A nova proposta de lei do Imposto sobre os Rendimentos das Pessoas Singulares (IRPS) prevê que os bancos partilhem automaticamente informações financeiras dos clientes com a AGT. A deputada Maria de Lurdes Kaposso alerta para os riscos da medida e pede revisão do artigo antes da aprovação final.

O sistema fiscal angolano pode estar prestes a sofrer uma das suas maiores transformações das últimas décadas. A nova proposta de lei do Imposto sobre os Rendimentos das Pessoas Singulares (IRPS), atualmente em discussão no parlamento, prevê que as instituições bancárias sejam obrigadas a partilhar informações detalhadas sobre os recebimentos dos seus clientes com a Administração Geral Tributária (AGT).

A medida, que consta de um dos artigos da proposta, tem gerado intensos debates entre deputados, economistas e cidadãos. Enquanto o governo argumenta que a iniciativa visa combater a evasão fiscal e aumentar a transparência, há quem tema que a privacidade financeira dos angolanos esteja em risco.

📋 O que prevê a proposta de lei

De acordo com a proposta em análise, os bancos e demais instituições financeiras serão obrigados a enviar à AGT, por via electrónica, informações sobre todos os pagamentos e recebimentos realizados pelos seus clientes. Isso inclui profissionais liberais, trabalhadores por conta própria e qualquer pessoa que receba pagamentos de empresas ou outras entidades.

A medida abrange tanto pessoas singulares como colectivas e visa criar um sistema de cruzamento de dados que permita à AGT identificar automaticamente contribuintes que não estejam a declarar corretamente os seus rendimentos. A ideia é que, com a partilha de informações, o fisco tenha uma visão mais completa da realidade financeira dos cidadãos.

💡 O que muda: Atualmente, a AGT só tem acesso às informações bancárias dos contribuintes mediante autorização judicial ou em casos específicos de fiscalização. Com a nova lei, essa partilha passaria a ser automática e periódica.

🗣️ A preocupação da deputada Maria de Lurdes Kaposso

A deputada do MPLA, Maria de Lurdes Kaposso, tem sido uma das vozes mais críticas em relação a este artigo da proposta. Em declarações à imprensa, a parlamentar alertou para o que considera ser uma "medida excessiva e sensível" que pode ter consequências negativas para o sistema financeiro angolano.

"Estamos a falar da privacidade financeira dos cidadãos. Obrigar os bancos a partilhar automaticamente todas as informações sobre recebimentos dos clientes é uma medida muito sensível e que pode levar os cidadãos a perder a confiança no sistema bancário", alertou Kaposso.

A deputada pediu que o artigo seja revisto antes da aprovação final da lei, sugerindo que se encontre um equilíbrio entre a necessidade de combate à evasão fiscal e a proteção da privacidade dos contribuintes. "Não podemos criar um clima de desconfiança em relação ao sistema bancário. Precisamos de soluções que promovam a transparência sem comprometer a relação de confiança entre bancos e clientes", acrescentou.

"A obrigatoriedade de partilha automática de informações bancárias pode ser um instrumento poderoso contra a evasão fiscal, mas também pode ser vista como uma invasão da privacidade. É necessário encontrar um equilíbrio que proteja tanto o interesse público como os direitos individuais." — Analista fiscal.

⚖️ Os argumentos a favor e contra

A proposta tem gerado divisões entre especialistas e políticos. Do lado dos defensores da medida, argumenta-se que a partilha automática de informações é uma prática comum em países desenvolvidos e que tem contribuído para reduzir significativamente a evasão fiscal. A AGT passaria a ter acesso a dados mais precisos, permitindo uma fiscalização mais eficiente e justa.

Já os críticos da medida alertam para os riscos de violação da privacidade e para a possibilidade de a informação ser utilizada de forma abusiva. Há também receios de que a medida possa desencorajar a poupança e o investimento, uma vez que os cidadãos podem passar a evitar o sistema bancário formal para não terem as suas finanças expostas ao fisco.

🔐 O que está em jogo para o cidadão comum

Para o cidadão comum, a nova lei pode significar uma maior pressão fiscal. Com a AGT a ter acesso automático a todos os recebimentos, qualquer rendimento não declarado poderá ser facilmente identificado. Isso inclui não apenas salários, mas também rendimentos provenientes de actividades autónomas, alugueres, investimentos e outras fontes.

Por outro lado, a medida pode beneficiar os contribuintes que cumprem rigorosamente as suas obrigações fiscais, uma vez que cria um sistema mais justo e transparente, onde todos pagam o que devem. A AGT poderá usar os dados para cruzar informações e identificar inconsistências, reduzindo a margem para fraudes e sonegação.

📌 O que fazer se a lei for aprovada: Os especialistas recomendam que os contribuintes mantenham toda a sua documentação fiscal organizada e declararem corretamente todos os seus rendimentos. A transparência será a melhor defesa contra possíveis problemas com o fisco.

🌍 O exemplo internacional

A partilha automática de informações bancárias com as autoridades fiscais não é uma novidade no cenário internacional. Países como Portugal, Brasil, Espanha e Reino Unido já implementaram sistemas semelhantes, com resultados variados.

Em Portugal, por exemplo, o sistema de comunicação automática de movimentos bancários tem sido alvo de críticas, mas também é reconhecido como um instrumento eficaz no combate à economia paralela. No Brasil, a Receita Federal utiliza informações bancárias para cruzar dados e identificar contribuintes com rendimentos incompatíveis com o seu património.

💎 O futuro da fiscalidade em Angola

A proposta de lei do IRPS está a ser discutida num momento crucial para a economia angolana. O país enfrenta desafios significativos na arrecadação de receitas fiscais e precisa de modernizar o seu sistema tributário para garantir a sustentabilidade das contas públicas.

A partilha automática de informações bancárias pode ser uma ferramenta poderosa nesse processo, mas é essencial que sejam criadas salvaguardas para proteger a privacidade dos cidadãos. O debate em torno desta proposta é saudável e demonstra a maturidade do sistema democrático angolano.

Resta agora aguardar pelos próximos desenvolvimentos parlamentares. A deputada Maria de Lurdes Kaposso já deixou claro que vai lutar pela revisão do artigo. O governo, por seu turno, defende a medida como necessária. O equilíbrio entre transparência fiscal e privacidade financeira está no centro desta discussão — e o resultado definirá o rumo do sistema tributário angolano nos próximos anos.

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